Biografias

Quem aqui gosta de biografias?
Eu confesso que não dava a menor bola para o tema, até começar a estudar alguns anos atrás. Depois peguei gosto e adoro ler sobre artistas e personalidades, suas biografias e autobiografias
E aquelas biografias do artista sofredor? Principalmente nos filmes, porque artista sóbrio, sem problemas e feliz não vende não é mesmo? hahahaha

É preciso sempre uma dificuldade pra fazer um bom roteiro né? Se não, não chegaríamos no contra ápice e depois no ápice.As histórias ficam sempre mais interessantes assim…. Quem nunca se entreteve com uma boa história de dificuldades não é mesmo?

A biografia de um artista pode entrar em dois vórtices contraditórios, tem quem simplesmente deixe de lado na hora de estudar sobre as obras, não dando a mínima importância, e tem quem dê importância demais, se esquecendo da obra completamente e focando no mar de desilusões, poucas vendas, pobreza, dificuldades, tragédias… óh mundo cruel!

Mas, e se a gente fosse além desse clichê de causa e feito nas biografias, o que sobraria?

A dica aqui de hoje não é sobre a biografia de nenhum artista, nem personalidade. É para quem quer começar a estudar sobre o assunto.
Sergio Vilas Boas escreveu dois livros sobre biografias, pensando de dentro da sua área que é o jornalismo, mas que reserva boas reflexões para nós também aqui dentro desse mundo das artes.

No livro Biografias & Biógrafos, faz uma série de levantamentos que envolvem o processo biográfico, desde questões mais técnicas, como as formas de escrita de uma biografia, até mesmo questões éticas na hora de biografar. Já na introdução do livro, Vilas Boas (2002, p. 11) afirma: “Ponto pacífico que biografia é o biografado segundo o biógrafo. Em outras palavras, um trabalho autoral.” 

Em determinado momento, Vilas Boas (2002, p. 33) relembra que “até meados do século XVIII, praticamente não existiam biografias que se ocupassem de um único indivíduo”. O autor lembra a coletânea de pintores, escultores e arquitetos que Giorgio Vasari (1511-1574) reúne em Vida dos artistas, publicado pela primeira vez em 1550, bem como outros títulos que tinham essa característica múltipla de biografias.

Vilas Boas recorda ainda que essas biografias de grupos de vidas como a de Vasari estavam de acordo com a hierarquia e funções sociais da época, retratando principalmente os nobres, os santos, reis, pintores e poetas. Eram raros os indivíduos comuns que eram lembrados. 

A escolha de biografar o comum e jogar luz àquilo que é ordinário faz parte do que Sergio Vilas Boas afirma, de que quem deve acreditar na extraordinariedade do biografado é o biógrafo.  

Eu já postei sobre o livro Gaveta dos Guardados de Iberê Camargo, sua autobiografia, mas que não foi organizada por ele, quem não viu, veja alguns posts atrás:

https://lendoahistoriadaarte.com/2020/08/25/gaveta-dos-guardados/

No caso de o próprio biógrafo ser o biografado, Vilas Boas (2002, p. 59) afirma:

“A autobiografia, ao contrário da biografia e da história, argumenta-se pela expressão da consciência. Mas o ato de narrar e de recordar é uma arma contra a solidão e a dor, memória formada de saberes, um saber transmitido e compartilhado.” 

Vilas Boas (2002, p. 60) completa: “As fronteiras entre imaginação e memória são difíceis de determinar, e as autobiografias e os livros de memórias funcionam como espelhos, autoconhecimento, autocriação e até autodefesa […]”.

A escolha de biografar o comum e jogar luz àquilo que é ordinário faz parte do que Sergio Vilas Boas afirma, de que quem deve acreditar na extraordinariedade do biografado é o biógrafo. 

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