A imagem sobrevivente de Georges Didi-Huberman

Se você quer entender mais sobre história da arte, sobre como ela se organiza, sobre questões de método, historiografia… você tem um aliado no livro A imagem sobrevivente de Georges Didi-Huberman.

O livro é recheado de reflexões que permeiam a filosofia, psicologia e a cultura. Fala muito sobre Aby Warburg e é uma ótima porta de entrada para entender seus pensamentos.

Conceitos de sintoma, pathosformel, nachleben (e tantas outras palavras em alemão que a gente mal sabe pronunciar) fazem parte desse livro de mais de 500 páginas.

Mas não se assuste, leia aos poucos, saboreie o pensamento de Didi-Huberman, comece pelo começo da história da arte no capítulo 1 quando fala sobre os primeiros historiadores da arte como Vasari e Winckelmann, essa parte é deliciosa!

Depois faça um passeio pelo pensamento de Freud, vire a esquina e no final do corredor chegue até o final do livro na Mnemosyne de Warburg…

Ler Didi-Huberman é como aprender uma coreografia de dança, vamos ficando melhores à medida que nos dedicamos e persistimos, quase lendo por repetição às vezes…

E você, já leu alguma parte de A imagem sobrevivente?

SINOPSE: Este livro marca uma tomada de posição diante das visões tradicionais da história da arte. Não sem audácia, Georges Didi-Huberman as confronta com os paradoxos abertos pelas potências fantasmáticas da imagem. Trata-se de uma experiência que abala as relações causais, desmantelando as cronologias e as clássicas demarcações temporais. Para desdobrar essa força anacrônica, o autor evoca o mítico Aby Warburg, esse espectro que atravessa as paredes dos diversos saberes e assombra cada vez mais os cômodos da história da arte.

Neste texto lúcido e apaixonado, o leitor é conduzido pelo universo warburguiano, esmiuçando suas influências e seus conceitos, sem deixar de lado sua surpreendente biografia. Vai surgindo, assim, uma antropologia das imagens que amalgama vida e obra. Uma “história de fantasmas” baseada na sobrevivência das imagens como forma de perturbação da história, como uma memória que irrompe pelos tempos a bordo das silhuetas e dos ícones exalados pelas culturas.

No espectro assim entrevisto, vislumbram-se os paradoxos temporais das imagens: seus movimentos obsessivos de transmissão do páthos em diferentes tipos de gestos. Nas intensidades desta fórmula perturbadora revelam-se os sintomas produzidos pelas contradições dos não saberes e das irreflexões, pelos inconscientes do tempo. Nesse “modelo sintomal”, o devir das formas é analisado como um conjunto de processos tensivos: “Tensionados, por exemplo, entre vontade de identificação e imposição de alteração, purificação e hibridação, normal e patológico, ordem e caos, traços de evidência e traços de irreflexão.”

As vozes que ecoam neste livro cobrem desde a historicidade de Burckhardt até o eterno retorno de Nietzsche, desde a morfologia de Goethe até a memória biológica de Darwin e a empatia de Vischer, desde o inconsciente de Freud até as sobrevivências de Tylor e a fenomenologia do tempo psíquico na qual se baseou a clínica de Binswanger.

De acordo com Didi-Huberman, Warburg está para a história da arte “como estaria um fantasma não redimido para a casa que habitamos”. Sua obra, que culmina com o fascinante projeto inacabado do atlas Mnemosyne, é complexa e instigante, mas muito difícil de ser capturada sem correr riscos. Por isso, não espanta que esse pensador singular tenha se transformado numa obsessão: “Alguém que volta sempre, sobrevive a tudo, reaparece de tempos em tempos, enuncia uma verdade quanto à origem.”

À luz deste livro, cuja edição na língua original ocorreu em 2002 e atualmente é considerado o mais importante de Georges Didi-Huberman, esse fantasma ganha ainda mais brilho e é enriquecido ao se reencarnar nas reflexões desse prolífico pensador francês. Nestas páginas, ele é reinventado, além de “persistir como uma bela lembrança”.

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Narrativas da Arte Contemporânea foi produzido por quem entende 100% do assunto:

  • Tenho 15 anos de experiência na área de artes visuais, sendo metade dedicados à linha de pesquisa de Teoria e História da Arte. Terminei meu mestrado em 2015 e o doutorado em 2019 na UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina.
  • Meu mestrado e doutorado foram sobre arte contemporânea.
  • Sou crítica de arte associada da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte.
  • Dou cursos livres presenciais e online, publico artigos científicos, faço mentoria com artistas.
  • Criei o Lendo a História da Arte com a missão de levar conteúdos de qualidade para a internet.

2 comentários em “A imagem sobrevivente de Georges Didi-Huberman

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