A obra prima ignorada, Honoré de Balzac

📚A obra-prima desconhecida ou A obra prima ignorada (depende da tradução/edição) é um texto do escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850).

🖼É uma ficção que fala sobre a mais linda obra de arte, a perfeição tomando forma e existência…o resultado de anos de obstinação de um pintor…

“Mestre Frenhofer pinta sua tela, mas nunca se satisfaz com o resultado e põe-se a refazê-la obsessivamente, pois seu desejo é chegar à essência da arte. Contudo, essa sede de perfeição porá tudo a perder, inclusive sua sanidade.”

Esse conto está como um apêndice do livro A pintura encarnada de Georges Didi-Huberman, que utiliza o texto de Balzac para pensar a própria pintura. Eu conheci ele através desse livro de Didi-Huberman.

Mas também tem uma versão com reflexões de Teixeira Coelho trazendo questões sobre a arte produzida hoje.

É, mais uma vez, a história da arte cruzando com a literatura… Pensar a arte extrapola a própria História da Arte.

E você, já leu este conto de Balzac?

A OBRA PRIMA IGNORADA – SINOPSE: Jovem artista visita um mestre da pintura. Um inesperado encontro com um pintor ainda mais importante coloca-o diante de sério dilema envolvendo a mulher que ama. Seu futuro na arte e na vida depende da opção que fizer. E sua ação coloca em xeque a carreira do grande artista. Este poderia ser um comum enredo literário. A obra-prima ignorada tornou-se, porém, emblemática dos desejos e tormentos do artista obcecado com sua obra, em busca da perfeição, e dividido quanto ao que fazer com sua vida pessoal. Em posfácio, um ensaio de Teixeira Coelho explora o universo de ideias e sensibilidades desta novela do criador de A comédia humana. Trazendo a discussão para o cenário da arte atual, este texto discute temas ligados à arte moderna e contemporânea e destaca o papel do Romantismo como princípio ainda ativo da estética e da vida. Saber se o que fez é bom e inovador ou, pelo contrário, um desastre irreparável, constitui um drama constante para os que têm na arte a razão de viver. E saber se há algo da vida, como o amor por uma pessoa, que pode ser sacrificado à arte é outro desses temas recorrentes. A obra-prima ignorada pode ser lida como uma episódica história de amor e frustração e como metáfora das questões que envolvem o surgimento de toda arte nova. Balzac escreveu esta novela como encomenda recebida de uma revista literária que buscava oferecer a seus leitores apenas algo que estivesse na moda. Ela se tornou, no entanto, uma das mais marcantes do gênero. Misturando personagens reais da história da arte a outros fictícios (mas em tudo verossímeis), Balzac criou uma narrativa intensa, habitada pelas forças da vida sensível tanto quanto pela especulação estética. O conflito entre o amor e a arte, entre a vida pessoal e a profissional, a escolha de uma esfera da vida a sacrificar para que uma outra se afirme e a possibilidade de ser ou não feliz em ambas ou em todas elas são temas tão centrais nesta novela como as ideias sobre arte que nela expõem seus personagens. O resultado é um texto rico e ambíguo onde cada um pode ver, quase, sua verdade pessoal e diante do qual o próprio autor hesitou. O impacto de A obra-prima ignorada foi forte e duradouro. Cézanne, precursor do cubismo e nascido depois da publicação da novela, dizia que o texto falava dele. E Picasso, que admirava esta história e a ilustrou, não menos identificado com a história ali narrada, foi instalar-se no mesmo local mencionado na novela como sendo o do ateliê nela descrito e ali pintou uma de suas maiores obras, Guernica, hoje em Madri. O cineasta francês Jacques Rivette dela extraiu em 1991 um filme marcante, La Belle Noiseuse (intitulada em português A bela intrigante). Este volume inclui um ensaio de Teixeira Coelho preparado para esta edição e que parte da novela de Balzac para penetrar no emaranhado de ideias sobre a arte, o Romantismo e a vida, naquela época como agora, na literatura como em outros domínios.

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A PINTURA ENCARNADA – SINOPSE: A pintura Encarnada é texto inaugural na obra de Georges Didi- Huberman. Desde então, firmou-se como um teórico particularmente interessado em “interrogar o tom de certeza que impera tão frequentemente na bela disciplina da historia da arte”. Neste estudo, ele recupera um texto literário como matriz historiográfica de ancestrais questionamentos sobre a arte. Contudo, a literatura não é aqui mero depositário das tópicas, consequente chave interpretativa para os sintagmas da pintura. Mais que simplesmente metaforizar uma leitura que se pretende arborescente, ela ajuda a pôr em pauta uma constelação de sentidos (do sema, da aisthesis, do pathos), para além dos modelos teóricos hegemônicos, que desconsideram as circulações entre elementos visuais contraditórios.

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